Ontem comentei aqui que a CBRu, a Confederação Brasileira de Rugby, é hoje a mais organizada e profissional entre as confederações do país. Vou retomar um pouco o assunto, de maneira mais geral, sobre os critérios de avaliação do trabalho e dos resultados e como quantificar isso. Ainda que eu não tenha criado uma pontuação específica, tenho o meu próprio ranking, que eu publicarei quando do término dos Jogos Pan-Americanos.
Primeiro de tudo, vem a filosofia e cultura profissional. Se não houver uma mentalidade de tornar-se independente de recursos públicos, pouco adianta do resto. Mas como fazer, você pergunta? Todos no Brasil têm a mentalidade que é função do governo sustentar o esporte. Não apenas sustentar, mas elaborar um Plano Nacional voltado para o esporte, manter confederações, clubes e atletas, enfim, tornar toda a cadeia esportiva um enorme braço do governo federal, uma verdadeira empresa estatal. Se ainda tomássemos como base um país socialista, de poder com alto nível de centralização, como Cuba ou a Coreia do Norte, até faria sentido. Mas não somos. Somos um país supostamente capitalista, de economia de mercado. O que isso quer dizer? Que nossos melhores exemplos não deveriam ser esses países, mas sim os Estados Unidos, Grã Bretanha, Nova Zelândia ou Austrália.
Qual o problema de termos um modelo sustentado pelo erário público? Vários. A estrutura toda do esporte fica sujeita a mandos e desmandos da presidência nacional, que, guiados ora por ideologia, ora por necessidade votos, acaba comprometendo o desenvolvimento. Quem nunca percebeu que obras de grande porte ‘coincidentemente’ atrasam ou adiantam conforme o calendário eleitoral? Maquetes são motivo de inauguração, benefícios para a população são entregues de maneira incompleta, inacabada ou com funcionamento deixando a desejar, recursos são desperdiçados, você conhece bem a história e a lista não tem fim. No que diz respeito ao esporte, isso se dá em compromissos não honrados, como o Campeonato Mundial de Handebol feminino de 2011 que era para acontecer em Santa Catarina, mas finalmente foi transferido para São Paulo às pressas ou como o caso de Brasília, que deveria sediar a Universíade de Verão de 2019, mas não foi avisado à FISU que a capital federal não tinha qualquer condição financeira para isso e o novo governo, em medida de ajuste orçamentário, teve que cancelar o evento. Ontem mesmo era para a tocha olímpica da Rio 2016¨ser apresentada ao mundo, mas teve a cerimônia adiada para hoje, para que a presidente da República pudesse prestigiar o acontecimento, após voltar de uma viagem ao exterior. Anos de planejamento podem ser jogados no lixo por desmandos e humores do Palácio do Planalto, do Ministério do Esporte e qualquer um que exerça o poder nesse país, seja por critérios arbitrários, seja por contingenciamento de despesas ou mudança na gestão fiscal ou por uma crise mal administrada.
Conclusão: Para que buscar o conforto de curto prazo na forma de dinheiro fácil, mas criar para si uma enorme ameaça e uma posição de fragilidade ao longo do tempo?
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