Uma vez que entendemos a necessidade de gestão profissional, todo o resto segue. Aparece um planejamento estratégico com objetivos claros e ambiciosos, soluções alternativas para velhos problemas, como a falta de verbas. Entre eles, licenciamento de marca, criação de produtos próprios, eventos com o objetivo de arrecadação, divulgação do esporte, do trabalho da confederação, campeonatos, viagens da seleção, etc. nas mais variadas mídias digitais, aplicativos para aparelhos móveis, ações de marketing localizadas (como flashmobs, eventos surpresa, premiações, entre outras) com o objetivo de aumentar o conhecimento do brasileiro sobre o esporte, elevar o interesse e gerar mídia espontânea. Também colocaria nessa lista ferramentas que são já usadas nos Estados Unidos há muito tempo, como envolvimento de atletas e dirigentes com comunidades locais, visitas a escolas e participação em projetos sociais, relatórios de transparência com balanços financeiros, evolução no período tomando como base o planejamento feito, interação com o público em relação a sugestões, críticas e um fim de semana especial que funcione como um festival e gerenciamento de marca e avaliação de sua imagem perante o público-alvo e imprensa.
Além disso, a própria estrutura das entidades serve como critério para definir a qualidade de trabalho. Uma confederação que tenha um CEO, certamente leva vantagem sobre as outras. Todos sabemos que a presidência do órgão é um cargo sujeito ao ambiente político de um esporte, e pode levar a graves distorções, como a malfadada perpetuação no poder. Um projeto de longo prazo, por outro lado, exige gestão contínua em cima de um planejamento sólido, que não mude ao sabor do vento, sempre que uma nova presidência assume. Para isso serve um CEO. Deixar a presidência para decisões importantes, porém pontuais, representação simbólica e diplomática do esporte no Brasil, além de dar o tom da gestão e ser o controle do trabalho do CEO. Enquanto esse, por sua vez, carrega o piano e faz acontecer no dia a dia.
Confederação Brasileira de Resultados
segunda-feira, 6 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
Inverno
Com o frio que tem feito em São Paulo nos últimos dias, me motiva a começar a falar sobre esportes de inverno... rs. Claro que serão muitos posts sobre o tema, envolvendo as reviravoltas da CBDG (Confederação Brasileira de Desporto no Gelo) e a evolução da CBDN (Confederação Brasileira de Desporto na Neve), mas eu começo justamente questionando essa decisão bastante estranha de dividir esportes de inverno em duas confederações distintas. Para que? Tem neve no Brasil? Bom, ter até tem, mas não suficiente para a prática de uma modalidade esportiva em nível de alto rendimento. Por que não juntar forças e ter uma Confederação de Inverno forte e que possa ter coesão para Olimpíadas de Inverno e congêneres? Se ambas já são uma coletânea de esportes, saindo da regra em relação aos esportes de verão, então por que dividir entre neve e gelo? Qual a utilidade prática, a não ser ter duas mentalidades distintas, duas filosofias distintas em se tratando de esportes que fazem parte de um único contexto?
Se você vai argumentar que são superfícies distintas, e isso, por si só já traria uma razão para duas estruturas independentes, eu vou ter que discordar. Isso é detalhe. Para o 2° campeonato pan-americano de hóquei no gelo, a seleção brasileira foi 100% composta por jogadores de hóquei sobre patins, que nunca tinham jogado em uma superfície de gelo. E não se deram mal não. Pelo contrário, levaram bronze! Outra: sinceramente? Acho que curling está tão distante de skeleton quanto de patinação artística.
A pergunta permanece no ar e abro para quem puder me iluminar com um sentido para isso...
Se você vai argumentar que são superfícies distintas, e isso, por si só já traria uma razão para duas estruturas independentes, eu vou ter que discordar. Isso é detalhe. Para o 2° campeonato pan-americano de hóquei no gelo, a seleção brasileira foi 100% composta por jogadores de hóquei sobre patins, que nunca tinham jogado em uma superfície de gelo. E não se deram mal não. Pelo contrário, levaram bronze! Outra: sinceramente? Acho que curling está tão distante de skeleton quanto de patinação artística.
A pergunta permanece no ar e abro para quem puder me iluminar com um sentido para isso...
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Administração esportiva no Brasil - Parte I
Ontem comentei aqui que a CBRu, a Confederação Brasileira de Rugby, é hoje a mais organizada e profissional entre as confederações do país. Vou retomar um pouco o assunto, de maneira mais geral, sobre os critérios de avaliação do trabalho e dos resultados e como quantificar isso. Ainda que eu não tenha criado uma pontuação específica, tenho o meu próprio ranking, que eu publicarei quando do término dos Jogos Pan-Americanos.
Primeiro de tudo, vem a filosofia e cultura profissional. Se não houver uma mentalidade de tornar-se independente de recursos públicos, pouco adianta do resto. Mas como fazer, você pergunta? Todos no Brasil têm a mentalidade que é função do governo sustentar o esporte. Não apenas sustentar, mas elaborar um Plano Nacional voltado para o esporte, manter confederações, clubes e atletas, enfim, tornar toda a cadeia esportiva um enorme braço do governo federal, uma verdadeira empresa estatal. Se ainda tomássemos como base um país socialista, de poder com alto nível de centralização, como Cuba ou a Coreia do Norte, até faria sentido. Mas não somos. Somos um país supostamente capitalista, de economia de mercado. O que isso quer dizer? Que nossos melhores exemplos não deveriam ser esses países, mas sim os Estados Unidos, Grã Bretanha, Nova Zelândia ou Austrália.
Qual o problema de termos um modelo sustentado pelo erário público? Vários. A estrutura toda do esporte fica sujeita a mandos e desmandos da presidência nacional, que, guiados ora por ideologia, ora por necessidade votos, acaba comprometendo o desenvolvimento. Quem nunca percebeu que obras de grande porte ‘coincidentemente’ atrasam ou adiantam conforme o calendário eleitoral? Maquetes são motivo de inauguração, benefícios para a população são entregues de maneira incompleta, inacabada ou com funcionamento deixando a desejar, recursos são desperdiçados, você conhece bem a história e a lista não tem fim. No que diz respeito ao esporte, isso se dá em compromissos não honrados, como o Campeonato Mundial de Handebol feminino de 2011 que era para acontecer em Santa Catarina, mas finalmente foi transferido para São Paulo às pressas ou como o caso de Brasília, que deveria sediar a Universíade de Verão de 2019, mas não foi avisado à FISU que a capital federal não tinha qualquer condição financeira para isso e o novo governo, em medida de ajuste orçamentário, teve que cancelar o evento. Ontem mesmo era para a tocha olímpica da Rio 2016¨ser apresentada ao mundo, mas teve a cerimônia adiada para hoje, para que a presidente da República pudesse prestigiar o acontecimento, após voltar de uma viagem ao exterior. Anos de planejamento podem ser jogados no lixo por desmandos e humores do Palácio do Planalto, do Ministério do Esporte e qualquer um que exerça o poder nesse país, seja por critérios arbitrários, seja por contingenciamento de despesas ou mudança na gestão fiscal ou por uma crise mal administrada.
Conclusão: Para que buscar o conforto de curto prazo na forma de dinheiro fácil, mas criar para si uma enorme ameaça e uma posição de fragilidade ao longo do tempo?
Primeiro de tudo, vem a filosofia e cultura profissional. Se não houver uma mentalidade de tornar-se independente de recursos públicos, pouco adianta do resto. Mas como fazer, você pergunta? Todos no Brasil têm a mentalidade que é função do governo sustentar o esporte. Não apenas sustentar, mas elaborar um Plano Nacional voltado para o esporte, manter confederações, clubes e atletas, enfim, tornar toda a cadeia esportiva um enorme braço do governo federal, uma verdadeira empresa estatal. Se ainda tomássemos como base um país socialista, de poder com alto nível de centralização, como Cuba ou a Coreia do Norte, até faria sentido. Mas não somos. Somos um país supostamente capitalista, de economia de mercado. O que isso quer dizer? Que nossos melhores exemplos não deveriam ser esses países, mas sim os Estados Unidos, Grã Bretanha, Nova Zelândia ou Austrália.
Qual o problema de termos um modelo sustentado pelo erário público? Vários. A estrutura toda do esporte fica sujeita a mandos e desmandos da presidência nacional, que, guiados ora por ideologia, ora por necessidade votos, acaba comprometendo o desenvolvimento. Quem nunca percebeu que obras de grande porte ‘coincidentemente’ atrasam ou adiantam conforme o calendário eleitoral? Maquetes são motivo de inauguração, benefícios para a população são entregues de maneira incompleta, inacabada ou com funcionamento deixando a desejar, recursos são desperdiçados, você conhece bem a história e a lista não tem fim. No que diz respeito ao esporte, isso se dá em compromissos não honrados, como o Campeonato Mundial de Handebol feminino de 2011 que era para acontecer em Santa Catarina, mas finalmente foi transferido para São Paulo às pressas ou como o caso de Brasília, que deveria sediar a Universíade de Verão de 2019, mas não foi avisado à FISU que a capital federal não tinha qualquer condição financeira para isso e o novo governo, em medida de ajuste orçamentário, teve que cancelar o evento. Ontem mesmo era para a tocha olímpica da Rio 2016¨ser apresentada ao mundo, mas teve a cerimônia adiada para hoje, para que a presidente da República pudesse prestigiar o acontecimento, após voltar de uma viagem ao exterior. Anos de planejamento podem ser jogados no lixo por desmandos e humores do Palácio do Planalto, do Ministério do Esporte e qualquer um que exerça o poder nesse país, seja por critérios arbitrários, seja por contingenciamento de despesas ou mudança na gestão fiscal ou por uma crise mal administrada.
Conclusão: Para que buscar o conforto de curto prazo na forma de dinheiro fácil, mas criar para si uma enorme ameaça e uma posição de fragilidade ao longo do tempo?
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Pan 2015 | CBRu
Ainda farei (possivelmente logo após o Pan) um post detalhado e aprofundado, de repente talvez até uma série, falando porque hoje a CBRu é (de longe!) a melhor confederação esportiva do país - já há alguns anos, inclusive. Igualmente, também farei posts específicos a respeito do rugby XV (não olímpico).
Dentro da expectativa para o Pan de Toronto, que começa semana que vem (o rugby sevens será disputado dias 11 e 12 de julho), será interessante notar a evolução da equipe masculina, bem como o desempenho da feminina. Em Guadalajara, quando o esporte passou a integrar o programa oficial (apenas em sua versão masculina), o Brasil teve bons resultados, mas por questões de chaveamento, pegou um péssimo 7° lugar. Quatro anos se passaram, muita coisa aconteceu e a equipe masculina de sevens cresceu bastante. Não só isso, mas recebeu em seu plantel dois “estrangeiros” (filhos de brasileiros que foram naturalizados). A tendência é que brigar por medalha seja bem difícil, já que Argentina, Canadá e Estados Unidos estão bem à frente do Brasil. Mas comparar com o desempenho de Uruguai e Chile será bem interessante e se espera que a colocação melhore bem. Um 4° lugar seria um bom negócio.
Já no caso das mulheres, onde a disputa estreia no programa, a história é bem diferente. O Canadá jogando em casa é favorito ao ouro. Brasil e Estados Unidos brigarão pela prata, apesar que as norte-americanas estão um pouco à frente nesse momento, mas nunca se sabe. À parte dessas equipes, não existem adversários para o Brasil no continente, e como é uma disputa de chave única, uma vitória contra os EUA garantiria a prata ao menos, o que seria excelente.
De qualquer forma, é ótimo para essas seleções já irem se acostumando com o clima, e pegarem ritmo para os Jogos Olímpicos do ano que vem, no Rio.
Dentro da expectativa para o Pan de Toronto, que começa semana que vem (o rugby sevens será disputado dias 11 e 12 de julho), será interessante notar a evolução da equipe masculina, bem como o desempenho da feminina. Em Guadalajara, quando o esporte passou a integrar o programa oficial (apenas em sua versão masculina), o Brasil teve bons resultados, mas por questões de chaveamento, pegou um péssimo 7° lugar. Quatro anos se passaram, muita coisa aconteceu e a equipe masculina de sevens cresceu bastante. Não só isso, mas recebeu em seu plantel dois “estrangeiros” (filhos de brasileiros que foram naturalizados). A tendência é que brigar por medalha seja bem difícil, já que Argentina, Canadá e Estados Unidos estão bem à frente do Brasil. Mas comparar com o desempenho de Uruguai e Chile será bem interessante e se espera que a colocação melhore bem. Um 4° lugar seria um bom negócio.
Já no caso das mulheres, onde a disputa estreia no programa, a história é bem diferente. O Canadá jogando em casa é favorito ao ouro. Brasil e Estados Unidos brigarão pela prata, apesar que as norte-americanas estão um pouco à frente nesse momento, mas nunca se sabe. À parte dessas equipes, não existem adversários para o Brasil no continente, e como é uma disputa de chave única, uma vitória contra os EUA garantiria a prata ao menos, o que seria excelente.
De qualquer forma, é ótimo para essas seleções já irem se acostumando com o clima, e pegarem ritmo para os Jogos Olímpicos do ano que vem, no Rio.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
O primeiro depois do primeiro
Bom, para estrear o conteúdo do blog, se faz necessária uma breve introdução: Para começar a empreitada com força, temos os Jogos Pan-Americanos de Toronto (daí a linda foto de fundo que estou usando no momento, com o skyline da metrópole canadense) e o objetivo de quem vos escreve é fazer uma análise bastante detalhada do desempenho de cada atleta, equipe, confederação, tanto de maneira isolada, ou seja, apenas em relação ao resultados esperado ou ao desempenho dos adversários, como também comparativamente, dentro de uma perspectiva histórica. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) disponibilizou aqui a lista com os 600 (cravados) atletas que farão parte da delegação nacional, estabelecendo novo recorde para um grupo verde e amarelo em competições multiesportivas fora do território nacional (na Rio 2007 foram 660 almas tupiniquins envolvidas em competições, fora comissões técnicas e dirigentes). Nos 9 dias que ainda restam até o início da competição, pretendo pincelar sobre a composição da delegação, resultados esperados, relembrar alguns momentos históricos nos Pans e por aí vai. Eu estou bastante ansioso para o início do evento. E você?
No Princípio…
Recomenda a boa educação que eu me apresente. Meu nome é Daniel Indech e eu sou um amante do esporte já não é de hoje. Estive no limiar de trabalhar com minha paixão, o marketing esportivo, mas por diversas questões alheias à minha pessoa, isso ainda não foi possível. Digamos que a principal delas é que o esporte no Brasil tem uma estrutura amadora, arcaica, despreparada, sem visão ou mesmo sem qualquer vínculo com o esporte em si, uma mera estrutura de poder a ser conquistada por parasitas ou por ignorantes mal intencionados. Com essa perspectiva, resolvi, após muita revolta contra esse cenário, e tendo em vista a estrutura oferecida em outras nações, como EUA, Espanha, Alemanha, Grã Bretanha, Nova Zelândia e afins, chamar a atenção para tudo o que está errado, cobrar mudanças, apontar falhas e acertos (sim, eles existem!), elogiar quando for o caso, mas, acima de tudo isso, somar e não apenas reivindicar mudanças, mas ser a própria transformação.
Ainda que a blogosfera nacional tenha nomes de peso, seja do ponto de vista específico, sobre uma única modalidade, ou mesmo um atleta ou equipe, seja com um panorama mais geral, debatendo desempenho de delegações, alocação de recursos públicos e decisões importantes, mesmo com ótimos blogs sobre marketing esportivo, falta nesse momento, no meu humilde entendimento, um que aborde a visão estratégica do esporte brasileiro, nominalmente o andamento do trabalho das (hoje) 30 confederações oficiais (esportes olímpicos), mais as confederações vinculadas e as reconhecidas (esportes não-olímpicos), além é claro, do próprio COB. Essa é a proposta do CoBRe (Confederação Brasileira de Resultados), e como seu próprio nome sugere, de cobrar indivíduos, instituições, resultados, progresso ou mesmo posicionamento, pelo bem do esporte brasileiro.
Atenção! O que esse blog NÃO é:
Partidário, panfleto ideológico, “muro das lamentações”, pichação gratuita, gerador de ofensas, escárnio ou instrumento de incitação ao ódio, plataforma de promoção pessoal, fã-clube ou espaço de bajulação, politicamente correto, vinculado a ONG, partido político, sujeito a receber verba federal, assessoria de imprensa, porta-voz oficial, de cunho clubístico ou arquibancada, associado a dirigentes/comissão técnica/atletas, portador de interesses escusos, imaturo, despreparado, vingativo, personalista, corporativista, ufanista ou tacanho. Acho que só (!!!) isso.
Ainda que a blogosfera nacional tenha nomes de peso, seja do ponto de vista específico, sobre uma única modalidade, ou mesmo um atleta ou equipe, seja com um panorama mais geral, debatendo desempenho de delegações, alocação de recursos públicos e decisões importantes, mesmo com ótimos blogs sobre marketing esportivo, falta nesse momento, no meu humilde entendimento, um que aborde a visão estratégica do esporte brasileiro, nominalmente o andamento do trabalho das (hoje) 30 confederações oficiais (esportes olímpicos), mais as confederações vinculadas e as reconhecidas (esportes não-olímpicos), além é claro, do próprio COB. Essa é a proposta do CoBRe (Confederação Brasileira de Resultados), e como seu próprio nome sugere, de cobrar indivíduos, instituições, resultados, progresso ou mesmo posicionamento, pelo bem do esporte brasileiro.
Atenção! O que esse blog NÃO é:
Partidário, panfleto ideológico, “muro das lamentações”, pichação gratuita, gerador de ofensas, escárnio ou instrumento de incitação ao ódio, plataforma de promoção pessoal, fã-clube ou espaço de bajulação, politicamente correto, vinculado a ONG, partido político, sujeito a receber verba federal, assessoria de imprensa, porta-voz oficial, de cunho clubístico ou arquibancada, associado a dirigentes/comissão técnica/atletas, portador de interesses escusos, imaturo, despreparado, vingativo, personalista, corporativista, ufanista ou tacanho. Acho que só (!!!) isso.
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